Nos dias 26 e 27 de setembro de 2026, a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim realizou a 15ª Assembleia Diocesana de Pastoral, momento de escuta, discernimento e definição de caminhos para a continuidade da ação evangelizadora em nossa Igreja Particular. A Assembleia retomou compromissos assumidos em 2023, identificou urgências para as diferentes Áreas Pastorais e estabeleceu atitudes que deverão orientar a caminhada da Diocese.
Para a Iniciação à Vida Cristã, essas proposições oferecem uma oportunidade importante de reflexão. Elas não constituem um planejamento específico para a catequese, mas apresentam opções pastorais da Igreja Diocesana que precisam também iluminar nossos processos catequéticos.
A catequese não caminha separada da vida pastoral. Ela participa da missão evangelizadora da Igreja e, por isso, é chamada a formar discípulos de Jesus Cristo capazes de viver a fé na comunidade, reconhecer os desafios do mundo e assumir sua missão na Igreja e na sociedade.
Mais do que perguntar quais conteúdos devemos transmitir, somos convidados a refletir: que cristãos estamos ajudando a formar?
01Uma catequese que conduza à vida em comunidade
Entre as prioridades apontadas pelas Áreas Pastorais, uma aparece de maneira particularmente significativa: a necessidade de uma espiritualidade que renove o ardor pela vida em comunidade. Essa urgência foi indicada pelas Áreas Litorânea, Cachoeiro, Serrana, Vales do Café, Montanhas do Caparaó, Vale do Caparaó e das Rochas.
Essa opção toca diretamente a identidade da Iniciação à Vida Cristã.
A catequese não pode se limitar à preparação para a recepção dos sacramentos. Seu objetivo é favorecer um verdadeiro encontro com Jesus Cristo, que conduza a pessoa à experiência da fé, à participação na comunidade e ao compromisso com a missão.
Por isso, crianças, adolescentes, jovens e adultos precisam descobrir, ao longo do itinerário catequético, que pertencem a uma comunidade concreta. É necessário ajudá-los a conhecer a vida da Igreja, participar das celebrações, aproximar-se das pastorais e serviços, experimentar a convivência comunitária e perceber que ninguém vive a fé cristã sozinho.
A celebração de um sacramento não deve representar o encerramento de um caminho, mas um passo no processo permanente de amadurecimento da fé.
02Escutar e caminhar com as juventudes
As juventudes aparecem como prioridade nas Áreas Pastorais de Cachoeiro, Vales do Café, Montanhas do Caparaó, Vale do Caparaó, ABC e das Rochas.
Para a catequese, especialmente nos processos de perseverança e preparação para a Crisma, essa opção exige uma atenção especial.
Evangelizar adolescentes e jovens significa aproximar-se de suas realidades, ouvir suas perguntas, compreender suas linguagens e permitir que encontrem na Igreja um lugar de pertencimento, participação e missão.
Não basta falar aos jovens. É necessário caminhar com eles.
Nossos processos catequéticos precisam oferecer espaços nos quais possam se expressar, dialogar, assumir responsabilidades e descobrir seus dons. Também precisam ajudá-los a relacionar a fé com suas escolhas, relacionamentos, estudos, projetos de vida, desafios pessoais e presença nos ambientes digitais.
Quando o jovem percebe que possui lugar e responsabilidade na comunidade, deixa de ser apenas destinatário da evangelização e começa a reconhecer-se também como sujeito da missão.
03Caminhar juntos, escutar e participar
A sinodalidade foi apontada pela Área Pastoral Litorânea entre suas prioridades.
Essa perspectiva também pode inspirar profundamente a Iniciação à Vida Cristã.
Uma catequese sinodal aprende a caminhar com as pessoas. Isso significa escutar a Palavra de Deus, mas também escutar os catequizandos, suas famílias, os catequistas e a própria comunidade.
O encontro catequético não precisa ser apenas um espaço em que alguém transmite conteúdos e os demais recebem. Ele deve favorecer a participação, a partilha, o diálogo, a oração e o discernimento.
O catequista continua exercendo sua responsabilidade de transmitir e testemunhar a fé da Igreja, mas faz isso como alguém que acompanha pessoas concretas em seus processos de amadurecimento.
Catequizar também significa acompanhar.
04A Palavra de Deus no centro do caminho
Os Círculos Bíblicos aparecem entre as prioridades assumidas pela Área Pastoral ABC.
Essa indicação nos recorda uma dimensão essencial de todo processo de Iniciação à Vida Cristã: a centralidade da Palavra de Deus.
A Sagrada Escritura não deve aparecer apenas como uma citação utilizada para introduzir determinado assunto. É preciso ajudar os catequizandos a aproximarem-se da Bíblia, aprenderem a escutá-la, rezá-la e relacioná-la com as situações concretas da vida.
A experiência dos Círculos Bíblicos pode enriquecer nossos processos catequéticos justamente porque favorece uma leitura comunitária da Palavra, na qual fé e vida se encontram.
A Palavra é proclamada, acolhida, rezada e colocada em diálogo com aquilo que cada pessoa e cada comunidade estão vivendo.
Assim, gradualmente, o catequizando aprende não apenas informações sobre a Bíblia, mas aprende a deixar-se iluminar por ela.
05Uma Igreja aberta à realidade
A Área Pastoral Serrana assumiu também como prioridade ser uma Igreja mais aberta ao mundo.
Essa indicação pode ajudar a catequese a superar uma formação desconectada da realidade.
A fé cristã não nos retira do mundo. Pelo contrário, ajuda-nos a olhar para ele com os olhos do Evangelho.
Por isso, a catequese precisa dialogar com aquilo que faz parte da vida das pessoas: família, escola, trabalho, relacionamentos, sofrimento, desigualdade, redes sociais, cultura, escolhas, cuidado com o próximo e responsabilidade diante da sociedade.
A doutrina cristã não deve ser apresentada como um conjunto de conhecimentos isolados da existência. Aquilo que cremos precisa iluminar aquilo que vivemos.
06Proteger e cuidar das pessoas vulneráveis
Entre as duas novas urgências pastorais escolhidas pela Assembleia está o cuidado e a prevenção de abusos contra pessoas vulneráveis.
Essa opção possui uma relação muito concreta com a missão dos catequistas.
Nossos ambientes catequéticos devem ser espaços seguros, marcados pelo respeito, pelo cuidado, pela responsabilidade e pela proteção da dignidade de cada pessoa, especialmente crianças, adolescentes e todas aquelas que se encontram em situações de maior vulnerabilidade.
Isso exige atenção não apenas aos espaços físicos, mas também às relações construídas durante o processo catequético.
Catequistas e coordenações precisam compreender que o cuidado faz parte da própria missão evangelizadora.
A maneira como acolhemos, escutamos, acompanhamos e protegemos as pessoas também anuncia o Evangelho.
07Evangelizar a partir de cada realidade
A segunda nova urgência pastoral assumida pela Assembleia é a evangelização em ambientes específicos. O documento recorda a diversidade territorial da Diocese, mencionando realidades como litoral, montanhas, turismo, extração de rochas, mobilidade rural e periferias urbanas.
Essa diversidade precisa ser considerada também pela catequese.
Não existe evangelização verdadeira sem conhecimento da realidade.
As comunidades de nossa Diocese vivem contextos muito diferentes. Existem comunidades urbanas, rurais, periféricas, turísticas e comunidades marcadas por características econômicas, sociais e culturais próprias.
O itinerário catequético pode oferecer uma caminhada comum, mas sua realização precisa considerar as pessoas e os lugares concretos onde a catequese acontece.
O catequista precisa aprender a olhar para o território, conhecer a realidade das famílias e perceber quais questões fazem parte da vida de seus catequizandos.
O Evangelho é o mesmo, mas precisa ser anunciado às pessoas reais, no lugar concreto onde elas vivem.
08Acolher e escutar os pobres
Entre as atitudes pastorais assumidas pela Igreja Diocesana está o compromisso de acolher e escutar os pobres à luz das Sagradas Escrituras, promovendo sua dignidade e o desenvolvimento humano integral. Como inspirações bíblicas, a Assembleia apresenta a parábola do Bom Samaritano, em Lucas 10,25 a 37, e o texto do juízo final, em Mateus 25,31 a 46.
Esse compromisso também precisa atravessar nossa ação catequética.
Não é possível formar discípulos de Jesus sem educá-los para a fraternidade, a solidariedade e o cuidado com aqueles que sofrem.
A atenção aos pobres não deve aparecer apenas como um tema entre outros no planejamento dos encontros. Ela pertence à própria experiência cristã.
A catequese precisa proporcionar situações concretas nas quais os catequizandos aprendam a perceber o outro, partilhar, servir e compreender que toda pessoa possui uma dignidade que deve ser respeitada.
09Cuidar da Casa Comum
Outra atitude assumida pela Igreja Diocesana é a sensibilização das comunidades, autoridades competentes, agentes sociais e ambientes digitais para fortalecer o cuidado com a Casa Comum. A Assembleia apresenta como referências bíblicas Gênesis 1,31 e Gênesis 2,15.
Essa preocupação também precisa encontrar espaço em nossos itinerários catequéticos.
Cuidar da criação não é apenas uma questão ambiental. Para o cristão, é uma consequência da fé no Deus Criador.
A catequese pode ajudar a desenvolver uma espiritualidade do cuidado, educando para atitudes simples e concretas de responsabilidade com a água, o território, os espaços comunitários, o consumo e o meio ambiente.
Pequenas ações realizadas na comunidade podem ajudar crianças, adolescentes, jovens e adultos a compreenderem que a criação é dom de Deus e responsabilidade de todos.
10Escutar, dialogar, compreender e acolher
A Assembleia também assumiu como atitude pastoral a escuta dos movimentos e das novas expressões de espiritualidade, procurando dialogar, compreender e acolher antes de qualquer julgamento, mantendo a fidelidade ao Concílio Vaticano II e à opção da Diocese por uma Igreja estruturada em Comunidades Eclesiais de Base. Como inspiração bíblica, o documento apresenta 1Coríntios 12,4 a 7.
Essa atitude oferece uma orientação preciosa para os catequistas.
As pessoas chegam à catequese trazendo histórias diferentes, experiências religiosas diversas, dúvidas, expectativas, feridas e diferentes níveis de compreensão da fé.
Antes de oferecer respostas, precisamos aprender a escutar.
Acolher não significa abandonar a identidade da fé cristã. Significa criar condições para que a pessoa possa caminhar, compreender, amadurecer e aprofundar sua pertença à comunidade eclesial.
A escuta abre portas para o acompanhamento.
11O que a Assembleia nos convida a perguntar?
As proposições da 15ª Assembleia Diocesana podem se transformar em critérios para avaliarmos continuamente nossos processos de Iniciação à Vida Cristã.
- 1
Nossa catequese está formando discípulos ou apenas preparando pessoas para receber os sacramentos?
- 2
Os catequizandos estão sendo verdadeiramente inseridos na vida da comunidade?
- 3
A Palavra de Deus ocupa um lugar central em nossos encontros?
- 4
Sabemos escutar crianças, adolescentes, jovens, adultos e suas famílias?
- 5
Nossos ambientes catequéticos são espaços seguros, respeitosos e acolhedores?
- 6
Conhecemos a realidade das pessoas e do território onde realizamos a catequese?
- 7
Estamos formando para o cuidado com os pobres, com as pessoas vulneráveis e com a Casa Comum?
- 8
Criamos oportunidades para que os jovens participem e assumam responsabilidades?
- 9
Nossos processos catequéticos despertam para o serviço e para a missão?
- 10
Que caminhos oferecemos para que a pessoa continue participando da comunidade depois da celebração dos sacramentos?
12Da Assembleia para a vida
As opções assumidas pela 15ª Assembleia Diocesana de Pastoral nos convidam a renovar nossa maneira de evangelizar.
Para a Iniciação à Vida Cristã, isso significa continuar avançando de uma catequese centrada apenas na preparação sacramental para processos que favoreçam o encontro com Jesus Cristo, a experiência comunitária, a escuta da Palavra, o acompanhamento, a participação, o cuidado e a missão.
Mais do que acrescentar novos assuntos aos nossos encontros, somos convidados a rever a maneira como estamos acompanhando as pessoas.
Precisamos proporcionar experiências que ajudem crianças, adolescentes, jovens e adultos a descobrir que a fé cristã é um caminho que envolve toda a existência.
A Assembleia nos oferece, portanto, não apenas temas para serem estudados, mas critérios para olharmos nossa prática pastoral.
Que cada equipe de catequese possa retomar essas proposições, dialogar sobre elas e perguntar como podem se tornar realidade em sua paróquia e em sua comunidade.
Assim, a Iniciação à Vida Cristã permanecerá profundamente unida à caminhada de nossa Igreja Diocesana e continuará cumprindo sua missão de formar discípulos que conheçam Jesus Cristo, vivam em comunidade e assumam, com consciência e esperança, sua missão no mundo.